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20/07/2018

Juros futuros se recuperam e voltam a patamares de junho

SÃO PAULO -  Os contratos de juros futuros vão voltando a passos lentos para os patamares anteriores à crise de nervosismo vista em junho, mais especificamente no dia 7, quando os investidores perderam os parâmetros dos preços dos ativos e entraram em uma onda de zeragens de posições. Na época, o cenário refletiu uma descrença com os próximos passos do Banco Central e a curva de juros chegou a precificar elevação de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião seguinte do Copom.

Agora, aos poucos, os investidores vão reduzindo o prêmio de risco embutido na curva. Os DIs mais curtos, com vencimentos em janeiro de 2019, 2020 e 2021 já voltaram para os patamares de 4 e 5 de junho. Mais longo, o DI janeiro/2025 volta ainda mais, renovando mínima desde 25 de maio.

O economista-chefe do Rabobank, Mauricio Oreng, conta que a curva embutia prêmio de risco de cenários alternativos, o que incluía a possibilidade de uma alta mais forte do dólar, expectativas de inflação saindo da meta do BC e um ambiente político sem execução de reformas. "Tivemos o posicionamento do BC na ata do Copom, Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e entrevistas da autoridade reafirmando que não há relação mecânica entre câmbio e a política monetária", afirma Oreng. O economista destaca ainda a evolução das expectativas de inflação, comprovando que os choques decorrentes da greve dos caminhoneiros são passageiros. Segundo ele, o cenário externo não provocou um agravamento da situação, o que poderia levar a uma alta ainda maior da moeda americana.

 

Efeito Centrão 

Embora o movimento de redução de prêmio tenha sido gradual, esta sexta-feira (20) foi um dia importante para essa tendência, sobretudo para os vencimentos mais longos, com a forte queda dos contratos seguindo novas informações sobre o processo eleitoral.

Geraldo Alckmin, pré-candidato à presidência pelo PSDB, praticamente fechou aliança com o Centrão, imprimindo grande alívio para os contratos. O grupo é formado por PP, PR, DEM, PRB e SD e pretende formalizar a aliança no dia 26 de julho.

"Existe espaço para os ativos locais apresentarem desempenho positivo relativo e absoluto no curto prazo, pois a posição técnica do mercado vai de neutra a levemente negativa", de acordo com a análise da Icatu Vanguarda. Segundo a casa, fundos e tesourarias estavam com viés negativo em Brasil.

O apoio do Centrão coloca o pré-candidato em uma posição melhor que seu principais concorrentes, segundo a Icatu Vanguarda, mas a incerteza eleitoral permanecerá e, com isso, espera-se muita volatilidade até o dia das eleições.

Na avaliação de Paulo Petrassi, sócio e gestor da Leme Investimentos, as notícias políticas são positivas e a reação do mercado condiz com o novo cenário eleitoral. Segundo ele, os investidores estavam descrentes com a possibilidade de Alckmin ir para o segundo turno.

Na sua opinião, o apoio do Centrão é duplamente positivo: por um lado fortalece o tucano, ao aumentar o seu tempo de propaganda política na TV e, por outro, tira o risco de fortalecimento do oponente Ciro Gomes (PDT). "Alckmin é reformista, vai fazer a reforma da Previdência. Acho justa a melhora do mercado." A Icatu ressalta ainda que o apoio do Centrão garante uma capilaridade maior ao candidato em alguns municípios e regiões onde os partidos apresentam presença relevante.

IPCA-15

Nesta sexta, também foi destaque a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho, que funciona como prévia do IPCA. O indicador desacelerou a alta para 0,64%, de 1,11% do mês anterior. A leitura do IPCA-15 ficou abaixo da média de 0,73% das estimativas obtidas pelo Valor Data com 28 consultorias e instituições financeiras.

Ao fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2020 terminou a 8,06% (de 8,13% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 anotou taxa de 9,05% (9,17% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 registrou taxa de 10,86% (11,17% no ajuste anterior).